No mercado das criptomoedas que é extremamente volátil, e estamos nos estágios iniciais da tecnologia, é importante definir algumas estratégias para gerir e gerenciar seus ativos. No final de 2017 e início de 2018 vimos o topo histórico de muitas moedas, mas logo em seguida assistimos preços desabando mais de 90% em sua grande maioria. Muitos projetos que foram lançados por ICOs acabaram sendo negociados abaixo do preço da primeira venda dos mesmos.

E como qualquer investimento existem riscos e é importante nunca alocar tudo em um mesmo pote, assim criando um portfólio e gerenciando seus riscos. Existem diversas estratégias e métodos, alguns mais agressivos, alguns mais conservadores, mas todos pretendem mitigar perdas e obter ganhos.

 

Análise das Criptomoedas

Normalmente quando se trata de criptomoedas, associam apenas ao Bitcoin, esquecem a vasta variedade de outras moedas e tokens (mais de 10.000 e aumentando!) existentes neste mercado, além de seus usos diversos e potenciais de ganhos.

Sabendo que existem vários tipos de moedas, não podemos comparar algumas criptomoedas, por exemplo Bitcoin e Ethereum, pois seus usos são distintos e não necessariamente atraem os mesmos usuários ou investidores.

Mas como devo escolher quais criptomoedas para alocar em meu portfólio?

Primeira recomendação é estudar as que te demonstrem interesse, nunca investir em algo que você não possui conhecimento sobre. Conhecer no que se investe é primordial, saber os benefícios, vantagens, desvantagens (sim, quase todas tem), aplicações, usos, perigos, concorrentes, segurança, etc.

Perguntas que considero essenciais na análise de um projeto:

– O projeto está em fase de desenvolvimento ou já foi entregue, cumprindo o que promete?
– Numero de desenvolvedores contribuindo no código do projeto para mantê-lo atualizado e seguro é satisfatório?
– Projeto é apoiado por uma forte comunidade, empresas e investidores?
– No mercado, este projeto tem volume de negociações grandes ou razoáveis?
– Este projeto tem escalabilidade para atender necessidades globais?

Recomendo também estudar criptomoedas para diferentes casos de uso. Vou dar uns exemplos:
Moeda: Bitcoin, Litecoin, Bitcoin Cash, Nano;
Contratos inteligentes: Ethereum, NEO, Binance Coin, Cardano, Polkadot;
Aplicativos Descentralizados: UniSwap, Compound, Basic Atention Token, PancakeSwap;
Internet das Coisas: Iota, Waltonchain
Token de Utilidade: Binance Coin, Kucoin Token, Huobi Token, Monnos Token
Armazenamento em Nuvem: Siacoin, Storj, Filecoin

Com esse breve exemplo perceba que para cada setor (e estão faltando muitos na lista) existem criptomoedas concorrentes brigando para apresentar a melhor tecnologia e ganhar uso global, podemos ter vários vitoriosos, até no mesmo ramo, mas algumas irão ruir, apresentar problemas, não terão aceitação de mercado; por isso um portfólio que possa ser tratado como menos arriscado demanda diversificação.


Alocação no 
Portfólio

Estudei as criptomoedas que selecionei, analisei-as, descartei algumas, mas como faço a alocação no meu portfólio? Não é uma tarefa tão simples, pois existem diversas estratégias e isto é uma das coisas mais fantásticas de se usar a Monnos, a quantidade de criptomoedas disponíveis! São mais de 70 até o momento.

Falarei de algumas estratégias comumente usadas:

Maximalista: A estratégia é não ter estratégia, um maximalista em Bitcoin por exemplo, confia apenas no Bitcoin, como sendo o primeiro, mais descentralizado, maior volume de negociações e aceitação. Estes geralmente mantêm o portfólio com alocação de 70% Bitcoin, 30% dinheiro fiduciário ou criptomoedas estáveis (stablecoins como USDT, BUSD, DAI.), para comprar mais Bitcoin, é claro! Quando acontecem quedas significativas, estes 30% são usados para adquirir mais Bitcoin a melhores preços e em uma eventual alta, realiza vendas de Bitcoin para readquirir os 30%.

*Existem maximalistas de outras criptomoedas, apenas trocar o Bitcoin por outra. Mas não é recomendando já que o Bitcoin já se provou no mercado e não é mais apenas uma promessa. No máximo com Ethereum.

Conservador:  Esta estratégia é de baixo risco, assim como o maximalista, aloca grande fatia em Bitcoin por ser o mais confiável e seguro do mercado, distribuindo um pouco em outros projetos de sua confiança e escolha. Por exemplo, 60% Bitcoin, 20% dinheiro fiduciário, 5% em quatro outras criptomoedas. Mas deve estar se perguntando, só 5%? Sim, altcoins quando desvalorizam, tendem a desvalorizar muito mais que o Bitcoin, porém quando valorizam, podem dobrar, triplicar seu valor em questão de dias ou semanas.

Essas quantidades foram apenas um exemplo. Outra recomendação, é a realização dos lucros das altcoins e Bitcoin em momentos de altas, para aumentar a quantidade de dinheiro fiduciário para adquirir mais quantidades de moedas em momentos de correções.

Hold Rebalanceável: Esta estratégia se define em escolher o número que você quiser de criptomoedas (desde que passem na análise de seleção das mesmas) e definir suas porcentagens de alocação mensalmente e, sem muita dor de cabeça, realizar a realocação. Mas como isso? Vou usar um exemplo de 3 moedas para ficar bem simples:

No primeiro mês começarei com 70% Bitcoin, 15% Ethereum e 15% Binance Coin, passado um mês com toda a volatilidade do mercado aquele 70/15/15 se tornou um 65/23/12, não necessariamente significa que o Bitcoin ou a Binance Coin desvalorizou, o Ethereum valorizou no caso, então mensalmente realiza um balanceamento de alocação jogando todo o possível ganho no Ethereum para fechar 70/15/15 novamente e para começar o segundo mês e assim em diante.

Esta é uma das que mais gosto e tenho obtido bons resultados com ela a médio prazo, já que faz menos de um ano que tenho um portfólio secundário para essa estratégia, utilizando 12 criptomoedas, também é conservadora, porém com esse balanceamento de alocação, consigo performar mais que a valorização normal do mercado no mesmo período.

Aportes Recorrentes: Como o nome já diz, se trata de uma estratégia de aportes, visando o longo prazo e criando um preço médio. Uma estratégia que até hoje não deu prejuízo para quem aportou em Bitcoin, todos os usuários que a praticam no longo prazo tiveram ganhos significativos.

Defina um dia da semana ou mês, um valor fixo que fique confortável para você e que você consiga recorrentemente aportar, sem falhar. Não ligue para preço. Por que? Porque adivinhar um fundo para aportar uma única vez é muito difícil.

Vamos supor que você tivesse comprando 40.000 dólares quando o Bitcoin estava em 20.000 dólares, você teve que aguardar mais 3 anos para começar a ter lucro (isso se não se desesperou e vendeu antes). Já se tivesse feito aportes mensais durantes esses 3 anos, comprando exatamente o mesmo valor de 40.000 dólares, mas apenas uma vez por mês, teria meses que você teria comprando caro e outros meses que teria comprado barato, assim fazendo um preço médio.

No exemplo abaixo a estratégia foi esta aqui:
Aporte de todo dia 1 do mês no valor de USD 1.126,72
Duração dos aportes: 01/2018 até 12/2020.


Confira na imagem o valor de 40.000,12 dólares diluídos em compras mensais de 1.126,72 dólares no decorrer de 36 meses.

O resultado final:
Valor total aportado: USD 40.000,12
Valor total da estratégia: USD 104.904,64
Percentual de retorno: 162%

Existe diversas outras estratégias, além que você pode desenvolver a sua.
Espero que tenham gostado das dicas.