Para investir com sucesso em qualquer setor ou segmento da economia, é preciso ter um certo nível de entendimento sobre como ele funciona. Para investir em ativos digitais, a lógica é a mesma. Por isso, investidores interessados em cripto também precisam aprender sobre interoperabilidade de blockchains. Acompanhe o artigo e entenda esse conceito!

O que é interoperabilidade de blockchains?

Interoperabilidade de blockchains é a integração das operações de diferentes redes de blockchain. 

Essa não é uma característica presente na maioria das blockchains públicas, mas pode ser viabilizada por meio de mecanismos específicos. Dessa maneira, é possível compartilhar informações livremente e realizar transações envolvendo mais de uma rede de blockchain. 

A visão de blockchains empresariais interoperáveis

Em geral, os grandes projetos de redes de blockchain públicas não partem da ideia de interoperabilidade. Pelo contrário, é comum ver os responsáveis por esses projetos defendendo sua tecnologia como autônoma e superior, o que alimenta a percepção de competição entre as várias redes. 

Assim, a interoperabilidade de blockchains acaba sendo uma visão mais defendida pelas empresas, no desenvolvimento de redes privadas. Elas reconhecem que existe a necessidade de comunicação. Em muitas situações práticas, a possibilidade de compartilhar informações seria uma vantagem.

É uma comparação puramente didática, mas pense no seguinte exemplo: um banco, por melhor que seja, terá uma utilidade muito limitada para seus clientes se só for possível realizar transações com outras contas do mesmo banco. 

Existe uma quantidade relativamente grande de instituições bancárias. Esse tipo de restrição significaria que os clientes não conseguiriam realizar transações com muitas pessoas que usam bancos diferentes.

Uma rede de blockchain que permite apenas a realização de operações entre pessoas que usam a mesma rede também enfrenta essa limitação. Percebendo essa dinâmica, as empresas de tecnologia adotam a visão de blockchains interoperáveis. 

Integração com redes existentes

A base da interoperabilidade de blockchains é a integração de uma nova rede com as redes existentes. Essa integração deve ser realizada de maneira que seja possível haver troca de informações entre elas, sem a necessidade de um intermediário. Assim, a descentralização, que é um elemento central do blockchain, é preservada.

Iniciar transações em outras redes

Por meio da interoperabilidade de blockchains, é possível iniciar transações em qualquer uma das redes integradas. Isso significa que os usuários têm mais flexibilidade para escolher com qual das redes desejam trabalhar.

Conduzir transações com outras redes

A interoperabilidade de blockchains também possibilita que uma transação seja realizada entre usuários de redes diferentes. Dessa maneira, há menos barreiras para o uso das redes em situações concretas, especialmente situações corporativas – o que beneficia a escalabilidade de todas elas.

Realizar transações entre implantações na mesma rede

Outro benefício da interoperabilidade de blockchains é que ela possibilita realizar transações entre aplicativos implantados na mesma rede. Além disso, facilita a transferência desses aplicativos, de uma rede subjacente para outra.

Por que a interoperabilidade de blockchains é importante?

A interoperabilidade de blockchains ajuda a remover obstáculos para sua escalabilidade. Na prática, quanto mais elas trabalham juntas, mais elas crescem individualmente.

Imagine que você tem a opção de começar a usar uma rede de blockchain ativamente. No entanto, você sabe que só é possível trocar informações e realizar transações entre os usuários dessa rede, o que reduz significativamente as oportunidades de aplicação prática. Você se daria ao trabalho de aprender a lidar com essa tecnologia e se tornar um usuário?

A resposta, provavelmente, é não. E é assim que a maioria das pessoas pensa. Portanto, a falta de integração entre as redes impede que elas conquistem mais usuários, restringindo sua escala.

Por outro lado, a partir do momento em que torna-se possível ser usuário de uma rede e realizar transações com usuários de outras redes, o apelo do blockchain para o público em geral aumenta. Isso significa que mais pessoas vão aderir à tecnologia e que ela será usada em mais situações concretas. 

Potencialmente, todas as redes que operam de maneira integrada vão poder conquistar mais usuários. Consequentemente, haverá mais fôlego para o desenvolvimento e a melhoria de cada uma delas. 

Essa é a importância da interoperabilidade de blockchains, do ponto de vista técnico. E do ponto de vista de um investidor, porque isso importa?

Essencialmente, o valor de uma criptomoeda tende a aumentar, conforme a rede de blockchain à qual ela está vinculada torna-se mais relevante. Não é à toa que Bitcoin e Ethereum são as criptos com maior valor atualmente – elas também correspondem às redes mais utilizadas “no mundo real”. 

Se a interoperabilidade ajuda as redes a se tornarem mais utilizadas e mais relevantes, ela também pode ajudá-las a ganhar valor de mercado. E o mais importante é que esse valor, embora não seja intrínseco, também não será puramente especulativo. Ou seja, essas redes serão investimentos um pouco mais estáveis e menos arriscados.

Como alcançar esta interoperabilidade?

Já está bem claro que a interoperabilidade de blockchains é positiva. A questão, então, é como tornar esse conceito uma realidade. 

A tarefa não é fácil, especialmente devido à percepção de competição que é alimentada nos projetos das grandes redes. A maioria delas não está preparada para suportar a interoperabilidade. Justamente por isso, no momento, as blockchains ainda não são completamente interoperáveis.

Ainda assim, existem alguns métodos para promover a integração. Entre eles, estão as tecnologias Cross Chain e Sidechain.

O que é a tecnologia Cross Chain?

A tecnologia Cross Chain, ou rede cruzada, consiste em criar uma rede de blockchain capaz de agir como uma ponte para viabilizar transações entre redes que não se comunicam. 

Por exemplo, Bitcoin e Ethereum não podem ser conectados entre si. Porém, tecnicamente, seria possível criar uma rede que se comunica com ambas e possibilita a troca de informações direta e a realização de transações entre elas. 

Compatibilidade Cross Blockchain

Um dos grandes problemas da tecnologia Cross Chain é a questão da compatibilidade. Criar uma rede capaz de ser compatível, ao mesmo tempo, com as características diferentes de duas (ou mais) outras redes envolve um nível de complexidade muito alto.

O que é a tecnologia Sidechain?

A tecnologia Sidechain, ou rede lateral, consiste em criar uma rede paralela à uma rede de blockchain principal. Essa rede lateral não contém nodes independentes; ela funciona mantendo seus nodes conectados ao da rede principal. Seu código também é essencialmente o mesmo da rede principal, apenas com modificações pontuais.

São essas modificações pontuais que permitem que a rede lateral se conecte a outras redes de blockchain. Dessa forma, ela viabiliza uma conexão com sua rede principal. 

Projetos de Interoperabilidade de Blockchains

Embora a interoperabilidade de blockchains ainda não seja uma realidade, já existem projetos em andamento. Esses projetos, via de regra, adotam de alguma forma os mecanismos de cross chain e sidechain – ou ambos. Veja alguns deles.

Polkadot

O primeiro exemplo de projeto de interoperabilidade de blockchains é o Polkadot. Foi fundado por Gavin Wood, que também está entre os fundadores do Ethereum. Polkadot é uma cross chain que possibilita a conexão entre outras redes de blockchain. 

A maneira como Polkadot foi desenvolvido envolve a construção de uma série de parachains, ou cadeias paralelas. As parachains interagem entre si e com redes externas de blockchain.

Cosmos

Assim como o Polkadot, Cosmos também é uma cross chain. Sua característica diferencial é o uso de um protocolo de comunicação interblockchain, ou IBC. Esse protocolo possibilita a troca de informações entre as redes. 

Muitas das principais redes não têm suporte ao protocolo IBC. Por isso, o Cosmos usa “peg zones”, que funcionam como adaptadores. Elas são redes de blockchain que fazem a ponte entre a rede Cosmos e uma rede externa de blockchain. 

Blocknet

Blocknet, segundo seus criadores, funciona de maneira similar à maneira como a internet conecta computadores. Na realidade, ele conta com um protocolo que envolve dois componentes.

O primeiro componente é oXBridge, que conecta redes externas de blockchain entre si. O segundo componente é o XRouter, que conecta redes externas de blockchain a dApps, isto é, apps descentralizados.

Aion Online

Aion entrou em operação em 2018 e foi considerada a primeira rede de interoperabilidade de blockchain pública. Ele funciona como um hub central para as redes participantes, que podem construir pontes entre si. As pontes podem ligar redes públicas e também privadas.

Wanchain

Wanchain visa promover a interoperabilidade, principalmente, com foco em finanças descentralizadas. Para isso, usa um mecanismo que viabiliza a troca de tokens nativos entre redes distintas.

Nesse mecanismo, os tokens de uma determinada rede de blockchain são “embalados” no token da Wanchain, o WETH. Em um ambiente de negociação, eles podem ser trocados por tokens de qualquer outra rede, também embalados em WETH. 

Blockchain Interoperability Alliance

A Blockchain Interoperability Alliance é uma iniciativa conjunta envolvendo os projetos Aion, Wanchain e, mais recentemente, ICON. Esses três projetos compartilham o objetivo de promover a conexão entre redes isoladas de blockchain. 

Sua maior prioridade é unir esforços de pesquisa sobre a troca de informações e a realização de transações entre redes. Além disso, também visa desenvolver padrões e protocolos que possam ser usados para viabilizar a interoperabilidade.

Conclusão

Além de entender melhor a interoperabilidade de blockchains, você também já sabe como ela pode beneficiar os usuários de redes e os investidores de criptomoedas

O sucesso das iniciativas voltadas à interoperabilidade pode sinalizar uma nova fase no potencial de retorno dos investimentos em cripto. Portanto, vale a pena ficar de olho nos próximos avanços para a aplicação prática desse conceito. 

Acompanhe as novidades sobre esse e outros temas relevantes do universo dos ativos digitais no blog da Monnos!

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